À coragem de olhar o sol,
Passarei para lá do texto.
Ultrapassarei o tempo.
Entrarei no limbo das palavras.
Aquele que se possui …
Plenamente!
Apenas, com o meu olhar, me comprometo. Só.

Seide (Casa de Camilo) 2008
Porque são tão difíceis as palavras?
Porque custa, assim, escrever?
Não existem elas, no meu sentir?
Não moram no pensamento?
Então,
Porque não revelam
E não se fazem acto de dizer o que penso?
É bem grande, afinal…
A distância entre o sentir e a palavra!

França (rio Sabor), 2008
Visito o livro dos dias
Em meu dia de ano novo.
E nele encontro, de mim…
Desenhos, rabiscos e temas
De escritos em prosa e poemas
A que falta dar um fim.
Encontro momentos de sonho,
De amor e de encanto
E encontro prazer tamanho
No soar, em leve canto,
Das memórias que são queridas.
Encontro terras sofridas
Pela lavoura dos dias.
Encontro batalhas perdidas.
Mas também vejo vitória,
Prazeres, gozos e magias
Em dias que fica na história.
Encontro dias a fio,
Neles refresco o meu hoje.
Do passado, nada foge.
Nele assento o amanhã!
Numa escola qualquer (V. N. F.), 2008
Se aprenderes o que eu sei,
Só poderás ficar pobre.
Bem mais pobre do que eu!
Se aprenderes com o que eu sei,
O limite da tua riqueza
Não te será imposto por mim.
E liberto serás completamente,
Para ser culturalmente rico.
“Podre” de rico.

Braga (Universidade do Minho), 2008
Antes da palavra ...
Um universo de ideias.
Difusas, ténues...
Imperceptíveis?
Sim!
Contudo, existentes!
E já nascidas sob forma de linguagem.
É que sem ser desta forma...
Nada existe, no cérebro de ninguém.