segunda-feira, 2 de março de 2009

Sorriso na lua


Famalicão, 2009

Pendura um sorriso na lua
Se achares a noite escura.

E ela, em outra noite,
Responderá com luar!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Caminhos


Jales (Vila Pouca de Aguiar), 2009

Não recearei os caminhos,
Se é na liberdade que os sigo.

Nem os que piso,
Nem os que vejo.
Nem aqueles que defino!

Só recearei os caminhos,
Que não me são livres.

Os que me impõem,
Os que me escondem do olhar.
Os que mascaram de trilháveis...

... sem o ser!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Limbo


Alcañices (Espanha), 2008
.
Ao abrir o céu
À coragem de olhar o sol,
Passarei para lá do texto.
Ultrapassarei o tempo.
Entrarei no limbo das palavras.
.
É aí que o mundo se constrói
Aquele que se possui …
Plenamente!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Infinito


Esposende, 2008

Caminho as asas do vento
Por amor do infinito
E em silêncios sustento,
No interno do meu do ser,
Toda a vontade e querer
Que não se transforma em grito,
Porque vejo que voar,
Para lá do infinito
Não se faz …
…de bater asas!
Não se exerce contra o vento.

Faz-se…
De sereno planar
E em brisas de navegar!

Um toque de asa, ligeiro!
Que não quebra o silêncio,
Conforta a paixão e o vento
Muda a rota, dá alento…
Firma o voo, que sustento,
Por amor do infinito.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Porquê?


Seide (Casa de Camilo) 2008

Porque são tão difíceis as palavras?
Porque custa, assim, escrever?
Não existem elas, no meu sentir?
Não moram no pensamento?

Então,
Porque não revelam
E não se fazem acto de dizer o que penso?

É bem grande, afinal…
A distância entre o sentir e a palavra!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Meu Ano Novo


França (rio Sabor), 2008

Visito o livro dos dias
Em meu dia de ano novo.
E nele encontro, de mim…
Desenhos, rabiscos e temas
De escritos em prosa e poemas
A que falta dar um fim.

Encontro momentos de sonho,
De amor e de encanto
E encontro prazer tamanho
No soar, em leve canto,
Das memórias que são queridas.

Encontro terras sofridas
Pela lavoura dos dias.
Encontro batalhas perdidas.
Mas também vejo vitória,
Prazeres, gozos e magias
Em dias que fica na história.

Encontro dias a fio,
Neles refresco o meu hoje.
Do passado, nada foge.
Nele assento o amanhã!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Ano Novo


Famalicão, 2008

Um novo ano não pode apresentar a nitidez de um presente.
É um futuro inteiríssimo de indefinição e desconhecimento.

No entanto…
O início da sua descoberta
Assenta no instante em que o futuro e o presente se confundem e…

O início da sua construção,
Nos outros todos instantes do passado, de onde o presente se faz.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Arco-íris


Famalicão, 2008

Para alguém sorrir
Na fruição do arco-íris,

É necessário que o dia chore!

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Murmúrios


Famalicão, 2008
-
Quando não se obrigam a palavras,
Os segredos que se trocam,
São murmúrios que se tocam
Em cristais de transparência.

E afoga-se a inocência
Na clareza de um beijo.
Encerra-se o mundo…
Num gesto!

E refresca-se a alma,
Em fontes de desejo!

domingo, 9 de novembro de 2008

Riqueza


Numa escola qualquer (V. N. F.), 2008

Se aprenderes o que eu sei,
Só poderás ficar pobre.
Bem mais pobre do que eu!

Se aprenderes com o que eu sei,
O limite da tua riqueza
Não te será imposto por mim.

E liberto serás completamente,
Para ser culturalmente rico.
“Podre” de rico.