domingo, 15 de março de 2009

Contrário



Lagoa, VNF (2009)

Quero lá saber de grandes coisas,
E de feitos inigualáveis.

Quero lá saber de aventuras,
De guerras e de conquistas.

Quero lá saber de certezas,
E de rios de verdades.

Agora o que quero…

É, em pleno prazer,
Nem que seja por um segundo,


Ver todo o mundo ao contrário!

segunda-feira, 9 de março de 2009

Rede


Vila Chã (Vila do Conde), 2009

Há-de ser esta a minha dor,
A minha angústia,
De tecer as teias
Em que me enleio?

Ou meu valor?
E por elas me liberto,
Prendendo a vida e os outros,
Em laços de sedução?

Se cansar as mãos que são minhas,
Se a minha pele gretar,
Da passagem destas linhas

Que os nós que der sejam lassos
Para escorregar, por eles a dor.
Sejam laços de vida e amor.
Sejam firmes, sejam rede
Sejam rede de enlaçar.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Sorriso na lua


Famalicão, 2009

Pendura um sorriso na lua
Se achares a noite escura.

E ela, em outra noite,
Responderá com luar!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Caminhos


Jales (Vila Pouca de Aguiar), 2009

Não recearei os caminhos,
Se é na liberdade que os sigo.

Nem os que piso,
Nem os que vejo.
Nem aqueles que defino!

Só recearei os caminhos,
Que não me são livres.

Os que me impõem,
Os que me escondem do olhar.
Os que mascaram de trilháveis...

... sem o ser!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Limbo


Alcañices (Espanha), 2008
.
Ao abrir o céu
À coragem de olhar o sol,
Passarei para lá do texto.
Ultrapassarei o tempo.
Entrarei no limbo das palavras.
.
É aí que o mundo se constrói
Aquele que se possui …
Plenamente!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Infinito


Esposende, 2008

Caminho as asas do vento
Por amor do infinito
E em silêncios sustento,
No interno do meu do ser,
Toda a vontade e querer
Que não se transforma em grito,
Porque vejo que voar,
Para lá do infinito
Não se faz …
…de bater asas!
Não se exerce contra o vento.

Faz-se…
De sereno planar
E em brisas de navegar!

Um toque de asa, ligeiro!
Que não quebra o silêncio,
Conforta a paixão e o vento
Muda a rota, dá alento…
Firma o voo, que sustento,
Por amor do infinito.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Porquê?


Seide (Casa de Camilo) 2008

Porque são tão difíceis as palavras?
Porque custa, assim, escrever?
Não existem elas, no meu sentir?
Não moram no pensamento?

Então,
Porque não revelam
E não se fazem acto de dizer o que penso?

É bem grande, afinal…
A distância entre o sentir e a palavra!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Meu Ano Novo


França (rio Sabor), 2008

Visito o livro dos dias
Em meu dia de ano novo.
E nele encontro, de mim…
Desenhos, rabiscos e temas
De escritos em prosa e poemas
A que falta dar um fim.

Encontro momentos de sonho,
De amor e de encanto
E encontro prazer tamanho
No soar, em leve canto,
Das memórias que são queridas.

Encontro terras sofridas
Pela lavoura dos dias.
Encontro batalhas perdidas.
Mas também vejo vitória,
Prazeres, gozos e magias
Em dias que fica na história.

Encontro dias a fio,
Neles refresco o meu hoje.
Do passado, nada foge.
Nele assento o amanhã!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Ano Novo


Famalicão, 2008

Um novo ano não pode apresentar a nitidez de um presente.
É um futuro inteiríssimo de indefinição e desconhecimento.

No entanto…
O início da sua descoberta
Assenta no instante em que o futuro e o presente se confundem e…

O início da sua construção,
Nos outros todos instantes do passado, de onde o presente se faz.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Arco-íris


Famalicão, 2008

Para alguém sorrir
Na fruição do arco-íris,

É necessário que o dia chore!

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Murmúrios


Famalicão, 2008
-
Quando não se obrigam a palavras,
Os segredos que se trocam,
São murmúrios que se tocam
Em cristais de transparência.

E afoga-se a inocência
Na clareza de um beijo.
Encerra-se o mundo…
Num gesto!

E refresca-se a alma,
Em fontes de desejo!

domingo, 9 de novembro de 2008

Riqueza


Numa escola qualquer (V. N. F.), 2008

Se aprenderes o que eu sei,
Só poderás ficar pobre.
Bem mais pobre do que eu!

Se aprenderes com o que eu sei,
O limite da tua riqueza
Não te será imposto por mim.

E liberto serás completamente,
Para ser culturalmente rico.
“Podre” de rico.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Sol


Famalicão, 2008
Há dias cuja marca é o sol
Numa alva radiante,
Numa tarde estival,
Num ocaso de “glamour”.

Ou então...
Na alma da gente
E se revela num sorriso ou num olhar!

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Antes da Palavra


Braga (Universidade do Minho), 2008

Antes da palavra ...
Um universo de ideias.
Difusas, ténues...
Imperceptíveis?
Sim!

Contudo, existentes!
E já nascidas sob forma de linguagem.

É que sem ser desta forma...
Nada existe, no cérebro de ninguém.

domingo, 5 de outubro de 2008

5 de Outubro


Num Portugal qualquer, 2008

Não há países do "sonho realizado"
Em todos... Todos os dias, sonhos se vão realizando.

Hoje, sonhos se vão sonhando...
Não só em verde e vermelho
Mas pintados de muitas cores...
Vestidos de muitos tons... e sorrisos!

Sonhos sonhados preocupados!
Em cuidados com muitos futuros...

O meu, o teu ... o de todos quantos cuidamos!
Todos quantos ensinamos... ou aprendemos,
Para nunca mais deixar de sentir como nossos!

(5 de Outubro - Dia Mundial do Professor)

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Caminhos


Zaragoza, 2008

Nem todos os caminhos se trilham com os pés.

Máximos, são aqueles que se trilham com a alma.
Os que se fazem de tristeza e de dor,
Se armam de intenção e de fervor,
Se alimentam de paixão e do amor.

São outros, assim, os caminhos do ser!

Os que conduzem, nas alturas…
Os passos que acreditam
No dia, na noite e no mundo.

Que se fincam nos outros…

… e no tempo!

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Longe


Leça do Balio, 2008 (nas proximidades do mosteiro)

Longe não será a lua!
Longe serão os lugares para além do olhar.
Para lá das sombras, onde moram os medos.

Longe será cada um,
No seu íntimo desconhecido,
Escuro, tenebroso e frio, onde nem o luar graceja.

Longe é o ausente do sol!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Ventos


Algures, 2008

Bonança não é calmaria.
Também ela tem seus ventos!

E então…
Manter hirtas as hastes do ser…
É desejo em esperança,


Não garantia!

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Nuvem


Famalicão 2008
.
A nuvem que esconde o sol
Pode ser pesada e triste.
Mas é sempre breve!
... enquanto o sol é eterno!

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Pequeno mundo II


Vila do Conde, 2008 (feira de artesanato)

Se formos capazes se sentir serena satisfação e pleno agrado...
No cuidado com o nosso pequeno mundo,

A tarefa dispensará comandos.
E no íntimo...


...residirão secretos prazeres!