segunda-feira, 23 de março de 2009

Guiços


Aveiro 2008

Por vezes…
São nus, os guiços.
São rudes… os ramos.
Que se desenham no pensar!

Mas neles…
Fervilham seivas de emoções.
E neles moram desejos.
Deles brotam as paixões
Que os vestem de palavras.

E depois…
Assim vestidos de ser,
Anunciam pétalas ao vento
Dão vida a amores e a dores,
Mentem…
Dizem verdade,
Dão significado à saudade
Cedem sonho e pensamento.

domingo, 15 de março de 2009

Contrário



Lagoa, VNF (2009)

Quero lá saber de grandes coisas,
E de feitos inigualáveis.

Quero lá saber de aventuras,
De guerras e de conquistas.

Quero lá saber de certezas,
E de rios de verdades.

Agora o que quero…

É, em pleno prazer,
Nem que seja por um segundo,


Ver todo o mundo ao contrário!

segunda-feira, 9 de março de 2009

Rede


Vila Chã (Vila do Conde), 2009

Há-de ser esta a minha dor,
A minha angústia,
De tecer as teias
Em que me enleio?

Ou meu valor?
E por elas me liberto,
Prendendo a vida e os outros,
Em laços de sedução?

Se cansar as mãos que são minhas,
Se a minha pele gretar,
Da passagem destas linhas

Que os nós que der sejam lassos
Para escorregar, por eles a dor.
Sejam laços de vida e amor.
Sejam firmes, sejam rede
Sejam rede de enlaçar.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Sorriso na lua


Famalicão, 2009

Pendura um sorriso na lua
Se achares a noite escura.

E ela, em outra noite,
Responderá com luar!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Caminhos


Jales (Vila Pouca de Aguiar), 2009

Não recearei os caminhos,
Se é na liberdade que os sigo.

Nem os que piso,
Nem os que vejo.
Nem aqueles que defino!

Só recearei os caminhos,
Que não me são livres.

Os que me impõem,
Os que me escondem do olhar.
Os que mascaram de trilháveis...

... sem o ser!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Limbo


Alcañices (Espanha), 2008
.
Ao abrir o céu
À coragem de olhar o sol,
Passarei para lá do texto.
Ultrapassarei o tempo.
Entrarei no limbo das palavras.
.
É aí que o mundo se constrói
Aquele que se possui …
Plenamente!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Infinito


Esposende, 2008

Caminho as asas do vento
Por amor do infinito
E em silêncios sustento,
No interno do meu do ser,
Toda a vontade e querer
Que não se transforma em grito,
Porque vejo que voar,
Para lá do infinito
Não se faz …
…de bater asas!
Não se exerce contra o vento.

Faz-se…
De sereno planar
E em brisas de navegar!

Um toque de asa, ligeiro!
Que não quebra o silêncio,
Conforta a paixão e o vento
Muda a rota, dá alento…
Firma o voo, que sustento,
Por amor do infinito.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Porquê?


Seide (Casa de Camilo) 2008

Porque são tão difíceis as palavras?
Porque custa, assim, escrever?
Não existem elas, no meu sentir?
Não moram no pensamento?

Então,
Porque não revelam
E não se fazem acto de dizer o que penso?

É bem grande, afinal…
A distância entre o sentir e a palavra!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Meu Ano Novo


França (rio Sabor), 2008

Visito o livro dos dias
Em meu dia de ano novo.
E nele encontro, de mim…
Desenhos, rabiscos e temas
De escritos em prosa e poemas
A que falta dar um fim.

Encontro momentos de sonho,
De amor e de encanto
E encontro prazer tamanho
No soar, em leve canto,
Das memórias que são queridas.

Encontro terras sofridas
Pela lavoura dos dias.
Encontro batalhas perdidas.
Mas também vejo vitória,
Prazeres, gozos e magias
Em dias que fica na história.

Encontro dias a fio,
Neles refresco o meu hoje.
Do passado, nada foge.
Nele assento o amanhã!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Ano Novo


Famalicão, 2008

Um novo ano não pode apresentar a nitidez de um presente.
É um futuro inteiríssimo de indefinição e desconhecimento.

No entanto…
O início da sua descoberta
Assenta no instante em que o futuro e o presente se confundem e…

O início da sua construção,
Nos outros todos instantes do passado, de onde o presente se faz.