segunda-feira, 4 de maio de 2009

Voar


Douro, na Ribeira do Porto (2009)

Passei para lá das leis
Que a física ordena.

Dei-me a asas,
Fui Fernão!

E num momento…
Abracei o ar.
Deixei o peso do corpo
Em amarras de água e terra.
Voei para lá do mar.
Vi!
E pude provar,
Por valor do pensamento,
Alvo e leve
Magnífico!
O encanto de VOAR.

domingo, 19 de abril de 2009

Espera


Avelanoso, 2009
Pode esperar-se o vento,
Ou um dia de sol!
Pode esperar-se uma razão para existir.

Pode esperar-se o tempo,
Pode esperar-se o sentir.
Pode esperar-se a razão,
Pode esperar-se o ouvir .

Ou um ouvido que escute
O grito e o segredo,
Um ombro que quebre o medo.
Num peito, uma paixão.

Pode até esperar-se, então,
Todo o mundo.
Ou simplesmente...
Um olhar que nos contemple.

sábado, 11 de abril de 2009

Horizontes


Serra de Montesinho (Bragança), 2009

Aqui me encontro,
Onde me alimento de mundo.
Para lá um monte, outro,
Até que o horizonte
Se confunde com o céu,
Em tons de azul e cinza!

O universo em mim
E eu sobre a terra
Firme entre calhaus?
Tombado sobre o fraguedo?


Serra de Montesinho (Bragança), 2009

Como seja!
Eu e a Terra … Olhando o Céu!

segunda-feira, 23 de março de 2009

Guiços


Aveiro 2008

Por vezes…
São nus, os guiços.
São rudes… os ramos.
Que se desenham no pensar!

Mas neles…
Fervilham seivas de emoções.
E neles moram desejos.
Deles brotam as paixões
Que os vestem de palavras.

E depois…
Assim vestidos de ser,
Anunciam pétalas ao vento
Dão vida a amores e a dores,
Mentem…
Dizem verdade,
Dão significado à saudade
Cedem sonho e pensamento.

domingo, 15 de março de 2009

Contrário



Lagoa, VNF (2009)

Quero lá saber de grandes coisas,
E de feitos inigualáveis.

Quero lá saber de aventuras,
De guerras e de conquistas.

Quero lá saber de certezas,
E de rios de verdades.

Agora o que quero…

É, em pleno prazer,
Nem que seja por um segundo,


Ver todo o mundo ao contrário!

segunda-feira, 9 de março de 2009

Rede


Vila Chã (Vila do Conde), 2009

Há-de ser esta a minha dor,
A minha angústia,
De tecer as teias
Em que me enleio?

Ou meu valor?
E por elas me liberto,
Prendendo a vida e os outros,
Em laços de sedução?

Se cansar as mãos que são minhas,
Se a minha pele gretar,
Da passagem destas linhas

Que os nós que der sejam lassos
Para escorregar, por eles a dor.
Sejam laços de vida e amor.
Sejam firmes, sejam rede
Sejam rede de enlaçar.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Sorriso na lua


Famalicão, 2009

Pendura um sorriso na lua
Se achares a noite escura.

E ela, em outra noite,
Responderá com luar!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Caminhos


Jales (Vila Pouca de Aguiar), 2009

Não recearei os caminhos,
Se é na liberdade que os sigo.

Nem os que piso,
Nem os que vejo.
Nem aqueles que defino!

Só recearei os caminhos,
Que não me são livres.

Os que me impõem,
Os que me escondem do olhar.
Os que mascaram de trilháveis...

... sem o ser!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Limbo


Alcañices (Espanha), 2008
.
Ao abrir o céu
À coragem de olhar o sol,
Passarei para lá do texto.
Ultrapassarei o tempo.
Entrarei no limbo das palavras.
.
É aí que o mundo se constrói
Aquele que se possui …
Plenamente!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Infinito


Esposende, 2008

Caminho as asas do vento
Por amor do infinito
E em silêncios sustento,
No interno do meu do ser,
Toda a vontade e querer
Que não se transforma em grito,
Porque vejo que voar,
Para lá do infinito
Não se faz …
…de bater asas!
Não se exerce contra o vento.

Faz-se…
De sereno planar
E em brisas de navegar!

Um toque de asa, ligeiro!
Que não quebra o silêncio,
Conforta a paixão e o vento
Muda a rota, dá alento…
Firma o voo, que sustento,
Por amor do infinito.