segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Sombras


Porto (Casa da Música - exterior), 2009
Olho o silêncio…
Na ausência das cores de ontem.

Vejo sombras …
De mãos que foram rostos,
De rostos que foram riso e palma,

Vejo sombras …
De pernas, de pés e corpos todos
Que, em noite,
Viveram magia, mundo e alma!

sábado, 15 de agosto de 2009


Comprometi-me com o olhar.

Afirmei-o que “só” e tal pareceu-me possível.
Como se o olhar se fizesse assim, independente do ser.

Comprometi-me, afinal, a partir do olhar (muito para além do olhar) com a linguagem das sensações que se fazem palavras.

Comprometi-me, afinal, com todos os sentidos e todos os sentires…

...entre fotos e palavras.




Até 4 de Setembro,

alguns dos "meus olhares" estão em exposição

na Galeria da Casa Museu Soledade Malvar em Vila Nova de Famalicão.


nesta localização:

terça-feira, 21 de julho de 2009

Palavras


Famalicão, 2009

Quando as palavras fogem à pena,
Por selvagens e bravias,
Cedo ou tarde se sujeitam,
ou se domam.
Cedo ou tarde
se fazem servir.

E as que voam em cor
Por raias de horizonte?
Essas fluem,
Donas de si,
Estranhas e leves!

Às vezes…
Não se prendem nem sujeitam.
Emaranham emoções,
Desenham desejos, paixões,
Esfranjam-se, dissipam-se e levam,
Para lá do horizonte,
O poema e a cantiga.

Na voz, o silêncio.
No papel, um alvo ou negro nada.

E na alma…
Palavras esfumadas
Sem serem presas, domadas
São íntimas, sós, secretas, não partilhadas!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Luz da cidade


Famalicão, 2009

Às portas da noite
Em luz nua e bela
Namorou o luar
Aqueceu a paixão
Iluminou a beleza
Sentiu a certeza
De ser uma estrela
Do tamanho da mão

Brilhou,
Brincou, sorriu…
Fadou.
Enamorou-se de si!
Deslumbrou-se
E mentiu!

A luz da cidade
Pensou que era sol!

Num raio de alva,
Experimentou a tristeza!
Perdeu a beleza,
E a perda doeu!

Na câmara do sol,
A luz da cidade
Saiu à verdade
E leu que o seu fado
É ser brilho amado
Em noite de breu!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Voar


Douro, na Ribeira do Porto (2009)

Passei para lá das leis
Que a física ordena.

Dei-me a asas,
Fui Fernão!

E num momento…
Abracei o ar.
Deixei o peso do corpo
Em amarras de água e terra.
Voei para lá do mar.
Vi!
E pude provar,
Por valor do pensamento,
Alvo e leve
Magnífico!
O encanto de VOAR.

domingo, 19 de abril de 2009

Espera


Avelanoso, 2009
Pode esperar-se o vento,
Ou um dia de sol!
Pode esperar-se uma razão para existir.

Pode esperar-se o tempo,
Pode esperar-se o sentir.
Pode esperar-se a razão,
Pode esperar-se o ouvir .

Ou um ouvido que escute
O grito e o segredo,
Um ombro que quebre o medo.
Num peito, uma paixão.

Pode até esperar-se, então,
Todo o mundo.
Ou simplesmente...
Um olhar que nos contemple.

sábado, 11 de abril de 2009

Horizontes


Serra de Montesinho (Bragança), 2009

Aqui me encontro,
Onde me alimento de mundo.
Para lá um monte, outro,
Até que o horizonte
Se confunde com o céu,
Em tons de azul e cinza!

O universo em mim
E eu sobre a terra
Firme entre calhaus?
Tombado sobre o fraguedo?


Serra de Montesinho (Bragança), 2009

Como seja!
Eu e a Terra … Olhando o Céu!

segunda-feira, 23 de março de 2009

Guiços


Aveiro 2008

Por vezes…
São nus, os guiços.
São rudes… os ramos.
Que se desenham no pensar!

Mas neles…
Fervilham seivas de emoções.
E neles moram desejos.
Deles brotam as paixões
Que os vestem de palavras.

E depois…
Assim vestidos de ser,
Anunciam pétalas ao vento
Dão vida a amores e a dores,
Mentem…
Dizem verdade,
Dão significado à saudade
Cedem sonho e pensamento.

domingo, 15 de março de 2009

Contrário



Lagoa, VNF (2009)

Quero lá saber de grandes coisas,
E de feitos inigualáveis.

Quero lá saber de aventuras,
De guerras e de conquistas.

Quero lá saber de certezas,
E de rios de verdades.

Agora o que quero…

É, em pleno prazer,
Nem que seja por um segundo,


Ver todo o mundo ao contrário!

segunda-feira, 9 de março de 2009

Rede


Vila Chã (Vila do Conde), 2009

Há-de ser esta a minha dor,
A minha angústia,
De tecer as teias
Em que me enleio?

Ou meu valor?
E por elas me liberto,
Prendendo a vida e os outros,
Em laços de sedução?

Se cansar as mãos que são minhas,
Se a minha pele gretar,
Da passagem destas linhas

Que os nós que der sejam lassos
Para escorregar, por eles a dor.
Sejam laços de vida e amor.
Sejam firmes, sejam rede
Sejam rede de enlaçar.