domingo, 13 de dezembro de 2009

Lágrima


Ervedosa (Vinhais), 2009

Porque…
Mesmo nas dores
e para lá das lágrimas…

Sempre pode existir uma luz
capaz de calar o frio dos dias de ontem
e abrir lugar a olhares novos.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Partida


Remisquedo (Bragança), 2009
Secou-se a terra de gentes
Que araram penedias
Levou-as o futuro prometido
Para longe das serranias.

E assim, há dias de hoje
Em que nem o ar se atreve a quebrar o silêncio.
Para que se sintam vozes de história,
Vozes de gentes em memória
De antigos desassossegos.
Uns com estios
Outros com invernias
E os últimos, com a partida.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Silêncio


Avelanoso, 2009
Hoje sabe-me o silêncio,
Faz-se, da cor, paladar.
Tocam, as papilas,
O frio do ar
E confundem-se!

Confundem-se no sabor da cor
Refrescada por orvalho, bem cedo,
À maternidade dos dias.

E que, por tons de Outono,
Se afirma nas pétalas em canteiros,
Se cede ao ar em folhas caídas,
Se esbanja, para deleite,
Em bosques de arvoredo.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Paliçada


Porto (Parque da Cidade, 2009)
Arrisca a cidade dos medos,
Vai ao futuro e vence-o.
Passa para lá do tempo e do ser,
Faz-te brilhar no universo.

Cria-te em homem novo,
Desfaz-te de ti e arrisca
Ultrapassar as barreiras
Que doem, que ardem, que moem.

Voa para lá do olhar.
Vence a paliçada que trava
Os caminhos da tua luz.
Que o hoje é, afinal,
Apenas e só.
Ligeiro impedimento ao amanhã.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Sombras


Porto (Casa da Música - exterior), 2009
Olho o silêncio…
Na ausência das cores de ontem.

Vejo sombras …
De mãos que foram rostos,
De rostos que foram riso e palma,

Vejo sombras …
De pernas, de pés e corpos todos
Que, em noite,
Viveram magia, mundo e alma!

sábado, 15 de agosto de 2009


Comprometi-me com o olhar.

Afirmei-o que “só” e tal pareceu-me possível.
Como se o olhar se fizesse assim, independente do ser.

Comprometi-me, afinal, a partir do olhar (muito para além do olhar) com a linguagem das sensações que se fazem palavras.

Comprometi-me, afinal, com todos os sentidos e todos os sentires…

...entre fotos e palavras.




Até 4 de Setembro,

alguns dos "meus olhares" estão em exposição

na Galeria da Casa Museu Soledade Malvar em Vila Nova de Famalicão.


nesta localização:

terça-feira, 21 de julho de 2009

Palavras


Famalicão, 2009

Quando as palavras fogem à pena,
Por selvagens e bravias,
Cedo ou tarde se sujeitam,
ou se domam.
Cedo ou tarde
se fazem servir.

E as que voam em cor
Por raias de horizonte?
Essas fluem,
Donas de si,
Estranhas e leves!

Às vezes…
Não se prendem nem sujeitam.
Emaranham emoções,
Desenham desejos, paixões,
Esfranjam-se, dissipam-se e levam,
Para lá do horizonte,
O poema e a cantiga.

Na voz, o silêncio.
No papel, um alvo ou negro nada.

E na alma…
Palavras esfumadas
Sem serem presas, domadas
São íntimas, sós, secretas, não partilhadas!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Luz da cidade


Famalicão, 2009

Às portas da noite
Em luz nua e bela
Namorou o luar
Aqueceu a paixão
Iluminou a beleza
Sentiu a certeza
De ser uma estrela
Do tamanho da mão

Brilhou,
Brincou, sorriu…
Fadou.
Enamorou-se de si!
Deslumbrou-se
E mentiu!

A luz da cidade
Pensou que era sol!

Num raio de alva,
Experimentou a tristeza!
Perdeu a beleza,
E a perda doeu!

Na câmara do sol,
A luz da cidade
Saiu à verdade
E leu que o seu fado
É ser brilho amado
Em noite de breu!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Voar


Douro, na Ribeira do Porto (2009)

Passei para lá das leis
Que a física ordena.

Dei-me a asas,
Fui Fernão!

E num momento…
Abracei o ar.
Deixei o peso do corpo
Em amarras de água e terra.
Voei para lá do mar.
Vi!
E pude provar,
Por valor do pensamento,
Alvo e leve
Magnífico!
O encanto de VOAR.

domingo, 19 de abril de 2009

Espera


Avelanoso, 2009
Pode esperar-se o vento,
Ou um dia de sol!
Pode esperar-se uma razão para existir.

Pode esperar-se o tempo,
Pode esperar-se o sentir.
Pode esperar-se a razão,
Pode esperar-se o ouvir .

Ou um ouvido que escute
O grito e o segredo,
Um ombro que quebre o medo.
Num peito, uma paixão.

Pode até esperar-se, então,
Todo o mundo.
Ou simplesmente...
Um olhar que nos contemple.