
Guimarães, Paço dos Duques de Bragança (2010)
A felicidade não mora lá, onde a escada acaba.
Mesmo que a cor desse lugar seja mais alva,
Mesmo que os desejo de lá chegar seja grande...
A felicidade tem que morar nos dias de cá,
Nos degraus da subida que se fazem de todas as cores.
Umas vezes de alegrias,
Outras vezes de dores.
A felicidade há-de fazer-se aqui,
Com o martelo dos dias,
No ferro bárbaro do tempo!
quinta-feira, 25 de março de 2010
O fim do tempo
quarta-feira, 3 de março de 2010
Saudade

Infinitamente algures
Porque há dias tocados de cinza, que seu ser mora longe,
terça-feira, 2 de março de 2010
Renovo

Bragança (Fevereiro, 2008)
O tempo,
temperado com paciência e serenidade,
garante o amadurecimento ou renovo
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Eu Menino
Nem que seja por um dia
Crer em gnomos e fadinhas
Acreditar que o destino
Se faz de sonho e de magia
E nas manhãs, bem cedinho,
Se vê, no orvalho, em luzinhas.
Quero ser companheiro da lua
Correr meio mundo num dia
Voar para lá do mar
Fazer léguas de pasmar
E botas de gato, calçar.
Dar aos meus passos magia.
Pintar o sol num sorriso,
Dizer gestos de improviso
Num textinho de mimar.
E com eles encantar
Os pássaros do meu jardim
E as nuvens, que lá no céu,
Se afastam, se juntam e brincam
Com os desenhos que pintam
Em branco, azul e marfim.
Fazer rufar um tambor
Mover exércitos tamanhos
Criar animais estranhos
Que povoam todo o mundo.
Desde bichos doutras eras
A criaturas e feras
Que voam pelas galáxias
Do universo profundo.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Ano Novo
Longe está o desassossego dos dias.
No passado…
Actos findos.
Arquivados por assuntos
Em gavetas de memória.
Umas fechadas,
Outras abertas,
Outras com inscrições no exterior, de caligrafias diversas:
Há nos dias do passado!
E no futuro?
Um caminho como a manhã de ano novo!
Limpo e virgem …
Pronto para o desassossego…
Da construção de memórias.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
domingo, 27 de dezembro de 2009
Brumas
O olhar só se exerce em distâncias de toque.
Depois ... as brumas!
Elas que encobrem o real
E lhe oferecem a não existência!
Ou então...
Que lhe atribuem mistério bastante
Para que se faça
Magicamente atractivo e voluptuoso!
Para ser, ele todo,
Para lá do mar de todas as descobertas
E de monstros inigualáveis,
O descanso dos sentidos e do ser
O continente da luz
O lugar do prazer!
domingo, 13 de dezembro de 2009
Lágrima

Ervedosa (Vinhais), 2009
Porque…
Mesmo nas dores
e para lá das lágrimas…
Sempre pode existir uma luz
capaz de calar o frio dos dias de ontem
e abrir lugar a olhares novos.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Partida
Que araram penedias
Levou-as o futuro prometido
Para longe das serranias.
E assim, há dias de hoje
Em que nem o ar se atreve a quebrar o silêncio.
Para que se sintam vozes de história,
Vozes de gentes em memória
De antigos desassossegos.
Uns com estios
Outros com invernias
E os últimos, com a partida.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Silêncio
Faz-se, da cor, paladar.
Tocam, as papilas,
O frio do ar
E confundem-se!
Confundem-se no sabor da cor
Refrescada por orvalho, bem cedo,
À maternidade dos dias.
E que, por tons de Outono,
Se afirma nas pétalas em canteiros,
Se cede ao ar em folhas caídas,
Se esbanja, para deleite,
Em bosques de arvoredo.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Paliçada
Vai ao futuro e vence-o.
Passa para lá do tempo e do ser,
Faz-te brilhar no universo.
Cria-te em homem novo,
Desfaz-te de ti e arrisca
Ultrapassar as barreiras
Que doem, que ardem, que moem.
Voa para lá do olhar.
Os caminhos da tua luz.
Apenas e só.
Ligeiro impedimento ao amanhã.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Sombras
Na ausência das cores de ontem.
Vejo sombras …
De mãos que foram rostos,
De rostos que foram riso e palma,
Vejo sombras …
De pernas, de pés e corpos todos
Que, em noite,
Viveram magia, mundo e alma!
sábado, 15 de agosto de 2009
Afirmei-o que “só” e tal pareceu-me possível.
Como se o olhar se fizesse assim, independente do ser.
Comprometi-me, afinal, a partir do olhar (muito para além do olhar) com a linguagem das sensações que se fazem palavras.
Comprometi-me, afinal, com todos os sentidos e todos os sentires…
terça-feira, 21 de julho de 2009
Palavras

Famalicão, 2009
Quando as palavras fogem à pena,
Por selvagens e bravias,
Cedo ou tarde se sujeitam,
ou se domam.
Cedo ou tarde
se fazem servir.
E as que voam em cor
Por raias de horizonte?
Essas fluem,
Donas de si,
Estranhas e leves!
Às vezes…
Não se prendem nem sujeitam.
Emaranham emoções,
Desenham desejos, paixões,
Esfranjam-se, dissipam-se e levam,
Para lá do horizonte,
O poema e a cantiga.
Na voz, o silêncio.
No papel, um alvo ou negro nada.
E na alma…
Palavras esfumadas
Sem serem presas, domadas
São íntimas, sós, secretas, não partilhadas!
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Luz da cidade

Famalicão, 2009
Às portas da noite
Em luz nua e bela
Namorou o luar
Aqueceu a paixão
Iluminou a beleza
Sentiu a certeza
De ser uma estrela
Do tamanho da mão
Brilhou,
Brincou, sorriu…
Fadou.
Enamorou-se de si!
Deslumbrou-se
E mentiu!
A luz da cidade
Pensou que era sol!
Num raio de alva,
Experimentou a tristeza!
Perdeu a beleza,
E a perda doeu!
Na câmara do sol,
A luz da cidade
Saiu à verdade
E leu que o seu fado
É ser brilho amado
Em noite de breu!
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Voar

Douro, na Ribeira do Porto (2009)
Passei para lá das leis
Que a física ordena.
Dei-me a asas,
Fui Fernão!
E num momento…
Abracei o ar.
Deixei o peso do corpo
Em amarras de água e terra.
Voei para lá do mar.
Vi!
E pude provar,
Por valor do pensamento,
Alvo e leve
Magnífico!
O encanto de VOAR.
domingo, 19 de abril de 2009
Espera
Ou um dia de sol!
Pode esperar-se uma razão para existir.
Pode esperar-se o tempo,
Pode esperar-se o sentir.
Pode esperar-se a razão,
Pode esperar-se o ouvir .
Ou um ouvido que escute
O grito e o segredo,
Um ombro que quebre o medo.
Num peito, uma paixão.
Pode até esperar-se, então,
Todo o mundo.
Ou simplesmente...
sábado, 11 de abril de 2009
Horizontes

Serra de Montesinho (Bragança), 2009
Aqui me encontro,
Onde me alimento de mundo.
Para lá um monte, outro,
Até que o horizonte
Se confunde com o céu,
Em tons de azul e cinza!
O universo em mim
E eu sobre a terra
Firme entre calhaus?
Tombado sobre o fraguedo?
Serra de Montesinho (Bragança), 2009
Como seja!
Eu e a Terra … Olhando o Céu!
segunda-feira, 23 de março de 2009
Guiços
Por vezes…
São nus, os guiços.
São rudes… os ramos.
Que se desenham no pensar!
Mas neles…
Fervilham seivas de emoções.
E neles moram desejos.
Deles brotam as paixões
Que os vestem de palavras.
E depois…
Assim vestidos de ser,
Anunciam pétalas ao vento
Dão vida a amores e a dores,
Mentem…
Dizem verdade,
Dão significado à saudade
Cedem sonho e pensamento.
domingo, 15 de março de 2009
Contrário

Lagoa, VNF (2009)
Quero lá saber de grandes coisas,
E de feitos inigualáveis.
Quero lá saber de aventuras,
De guerras e de conquistas.
Quero lá saber de certezas,
E de rios de verdades.
Agora o que quero…
É, em pleno prazer,
Nem que seja por um segundo,
Ver todo o mundo ao contrário!










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