quinta-feira, 17 de maio de 2012

Silêncio

Alqueidão da Serra (Porto de Mós), 2012

No silêncio...
Até as palavras se temem.

Não vão elas...
Ser tufão em vez de brisa.
Não vão elas...
Ser raio, trovão ou vento forte.
Não vão elas...
Ser nuvem de breu em vez de azul.

Não vão elas...
Carregar de norte a sul...
Esconder o sol,
Cerrar o horizonte e acordar tempestades.



sábado, 5 de maio de 2012

Primavera

Famalicão, 2012

Se tiver que abandonar 
Desejos de vento novo
Que havia de me levar
Por universos de azul,

Se tiver que esquecer
Viagens ao infinito! 
Se tiver que ficar...

Que seja preso a promessas de primavera
Me faça colorido companheiro
De renovos e juvenis,
Da natureza em flor. 



sexta-feira, 6 de abril de 2012

Puzzle

Landim, (V.N. Famalicão), 2012

Todos os dias,
Sem descanso, nem cansaço,
Movo uma ou duas peças
Do estranho puzzle da vida.

Abraço
O quebra-cabeças constante
De uma missão não cumprida.
E abre-se a luz à visão,
Quando me detenho,
Por um instante,
Em frente a uma peça movida
Que me requereu a razão

Miro
As jogadas da história
Peno erros, desalentos
Risco passos, faço pausas
Tento traços de destino
Busco, em abraços da memória,
Efeitos, razões e causas
De algum sentido perdido
Na estrada percorrida

Perco-me
Confesso, um pouco mais,
Para sorrisos de encanto,
Nos desenhos irreais
Dos jogos de peças trocadas
Que percebo,
Neste cantinho onde guardo,
O Puzzle do meu caminho.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Sorriso

Avelanoso, 2011

― Brilhaste?…
― Refleti-te, apenas.
― Estava aqui e vi-te sorrir.
― Aqueceste-me!
― E assim, brilhaste!
― Notou-se?
― Numa centelha alva e fresca...


É bem que se notem os encontros dos sorrisos, dos brilhos e dos reflexos.

Feliz Ano Novo

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Feliz Natal

Cada vez que o gelo dos dias
Se fizer em gota de água cristalina,
Oferecida a um raio de luz,
Haverá Natal!



Boas Festas.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Olhar

Chaves, 2008

Olhei com olhar de terra
E cansei os meus olhos assim.
Secaram em pardo desejo de ver verde,
De se ver céu.

Olhei com olhos de mar
E confundiu-se uma lágrima
Com céu, em desejo de ver verde,
De ver terra.

Olhei com olhos de infinito
E vi, de mim ao horizonte,
Todas as cores de um olhar.

sábado, 12 de novembro de 2011

Poesia

Vila Nova de Famalicão, 2009

Fazem-me falta as palavras de poeta,
Que libertam emoções,

Quando outras palavras me prendem, me amordaçam, me enferrujam o olhar.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Como o rio

Miranda do Douro, 2011

E o céu, 
Como um rio
Corre no ar da cidade
Que se faz brilho
Se faz luz
Se oferece ao olhar
Em prata fresca de outono.

Toda pedra,
Toda alma, 
Toda ser.
Desce da planura ao vale.

Do ouro do Estio
Ao Douro de sempre.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Olhar atento


Avelanoso (Vimioso, Bragança), 2011

Não sei como o meu olhar foi tido.
Nem sei sequer,
Se despertou alguma curiosidade,
A minha declarada curiosidade.

Mas sei...
Que não é o meu olhar o mais atento.
Ou se o for...
É um de dois olhares atentos.

O meu...
Pousado sobre o momento,
Apenas contemplou a atenção
De outro olhar.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Pão

Arrimal (Porto de Mós), 2011
A abrir, 
O pão também é um segredo.
Adivinha-se, claro!
Como se adivinha o ser, pelo parecer.
Bom aspecto... claro na aparência...
Tostado que baste, 
Elegante na forma!

Mas...
É a dúvida quebrada no corte da côdea,
Na forma como reage 
E se oferece.

Depois ...
Suave aroma 
E apetite saciado com um toque de sal.
Fantástico!

sábado, 25 de junho de 2011

"http://reflexosdomeuolhar.blogspot.com/"

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Fora da luz


Famalicão, 2011

E ...
Hoje não havia mais lua no céu?
Ou se escondeu ao meu olhar,
Ou fugiu da luz,
Ou foi desta vez que um rato roeu a lua!
Será mesmo feita de queijo?

E porque não?
Porque não acreditar nas histórias que se contam às crianças
E sorrir!
Porque não fingir acreditar
E sorrir!
Porque não fingir.

Fingir e sorrir,
Com vontade!

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Flor

França (Bragança), 2010

Descansa!
Porque pensas
Que só as asas fazem sentido?
Por serem belas?
Por serem grandes?
Por permitirem o gozo das brisas?
Ou por te conduzirem à flor?

Descansa as asas.
Vive a flor!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Mas


Avelanoso, 2011

...mas
É com o olhar que engano o tempo!

terça-feira, 26 de abril de 2011

Entre fotos e palavras


Casa da Cultura de Vimioso, 2011

Tenho escrito bem pouco, confesso.
Outros assuntos me ocupam
Sinto a falta, sim!
Voltarei, desejo
Muito, sim!

Entretanto...

Mais uma vez exponho meus olhares. Desta feita, na terra do meu berço e sob o tema "Entre fotos e palavras". Tinha que ser!

Nos vinte e um quadros que formam a exposição, conto a história dos dias do meu querer e dos meus caminhos, mostro sentidos que sentem e ofereço-me ao olhar e leitura num espaço magnífico, a Casa de Cultura de Vimioso, onde estará presente até ao dia 30 de Maio.

De cada vez que sai revelado um pedaço deste blogue sinto que esse momento se torna mais presente e até eterno. As fotos ganham outro ser no papel, numa impressão fotográfica de qualidade e a opção por papel metal sobre K-line parece-me cada vez mais acertada.

Sinto-me feliz pelo resultado.
Fica aqui o meu reconhecido agradecimento à Câmara Municipal de Vimioso e à Casa de Cultura

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Envelhecer


Avelanoso, 2009

Envelhecer também pode acontecer com graça...
com a graça que se faz e que se acha!
Com a graça de ser e de viver em graça...
Ou por graça!

Também se envelhece de graça!
E há graça também no certo, rigoroso, metódico, equilibrado ...

Envelhecer é saber vestir de sarja o lado mais quadrado.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Palco


S. Miguel de Seide (Centro de Estudos Camilianos), 2011

E quando a cena se faz vida,
E o cenário se assume mundo inteiro?
E quando o actor se perde em si,
Se faz personagem e se dá todo ao público?
E quando o público, para lá ribalta
Se faz actor de uma história que se estende?
E quando …

E quando não há mais teatro, só vida?
Vida que se vive em palco!
No palco onde cada actor é autor de seu texto,
Com seu ser e seus fantasmas.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Olha.. ouve!


Famalicão (Casa Das Artes), 2011

Olha como é frio o silêncio do teu corpo
Abandonado nos bastidores da poesia.
Vem ao amor. Abre o desejo e grita.

Ouve teus tons que passam a linha da ribalta
E me penetram em sopro quente e cheio.

Faz-te de mim...
Deixa que o nome que te der
te soe sentido.
Que seja resposta de ser
ao som exercido e partilhado.

Afinal...
antes de dado,
nem era teu...
Nem o som era!

quarta-feira, 23 de março de 2011

Lua


18/03/2011 - Vila Nova de Famalicão

 
19/03/2011 - Vila Nova de Famalicão

 
20/03/2011 - Vila Nova de Famalicão

E mostre-se assim a Lua,
À Terra e aos olhos

De quem os levantar
Para olhar o firmamento,
Numa noite de luar!

sábado, 19 de março de 2011

Pára o tempo

Trás-Os-Montes profundo, 2010

Pára o tempo.

Ou que não pare!
Galope, se é seu contento.

Que manda o relógio no tempo?
Quando um momento é eterno.