quarta-feira, 29 de maio de 2013

Perfume e cor

Famalicão, 2008

Por não resistir ao perfume da rosa,
penetrei na sua cor.

Abri caminho entre o tempo e as pétalas
num silêncio lento e leve,
entre passos de dedos e pele
que não pousa,
apenas toca,
como quem invade sem poder.

Ouvi um canto e um riso,
entre o tempo e as pétalas,
vindo de longe, no jardim,
para lá dos buxos
e das sebes,
num convite timido e leve,
como de querer que não quer

Toquei a cor de veludo
que cobre o tempo e as pétalas.
Vivi nectar de alvorada
e brilhos de bem querer,
num raiar de madrugada
que se faz
entre o tempo e o ser.

Penetrei fundo na cor
por entre o tempo e as pétalas.
Saciei sede de amor
entre orvalho, pólen, calor...
E a cor,
mitologicamente,
se fez perfume de rosa.

terça-feira, 5 de março de 2013

Asas

Famalicão, 2013
E é por causa de uma brisa mais viva
que as lagartas se alam e, no ar,
voam pétalas de flores antigas,
esquecidas pelo tempo,
renascidas pelo ser.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Não espera

Rio Maior (salinas), 2013

Já perdi vento e maré,
Perdi horas, perdi pé,
Perdi tempo devagar.

Já perdi velas e mastros,
Rumos, mapas e lastros,
Em dias de navegar.

Perdi noção e sentido
E já me senti perdido,
Um pouco em todo o lugar.

Mas sempre me encontrei ,
Em horizontes achei,
Novos pontos de marear.

Finco pés em águas de sal,
Não receio ondas de mal,
Olho o leste, sinto o mar.

Descanso silêncio, em pausa,
Não desarmo minha causa,
Descanso não é esperar.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Palavras D'Olhar

No dia 5 da janeiro exponho na Casa de Cultura da Trofa, em resposta ao gentil convite da Câmara Municipal.

Será um privilégio juntar amigos neste evento.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Longe

Entre Portugal e Espanha, nas serranias de Vinhais, 2011

E nenhum lugar será mais distante do resto do mundo
que aquele de onde o olhamos.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Caminhos

Remisquedo (Linha do Tua), 2012

Que é feito
dos caminhos de outrora,
rodados sem presas
por solavancos de história gemida?

Os ferros e as tábuas
tinham a alma das conversas de aldeia,
balanceadas em pouca-terra, pouca-terra...
por horas longas e preguiçosas.
Ensonava-se...

Um silvo vivo e longo
interrompia a espaços
o adormecimento das peças e das gentes.
Voltavam conversas, soavam ditos,
roçavam-se risos pelos ouvidos...

domingo, 23 de setembro de 2012

Palavras D' Olhar Bragança


Centro Cultural Municipal Adriano Moreira em Bragança

E ontem se fez novamente nua a sala Cervantes,
embora na memória a veja assim,
marcada, à altura do olhar,
por meus olhares.

E esta sala vazia
Nunca é um lugar de nada.
É sempre antecâmara do acontecimento futuro
onde pousarão novos olhares.

À Câmara Municipal de Bragança, pelo amável convite,
e a todos os que tiveram seu olhar sobre os meus
deixo um forte agradecimento aqui,
no lugar onde estes olhares
tomaram forma e sentido.



terça-feira, 28 de agosto de 2012

E tudo...




















Ria de Aveiro (2012)

Não há vento, não há mar
Que leve nas suas ondas
O sonho e o ser.

Se afundar, se morrer
Há de, a memória ficar,
Espalhada no vento,
No mar…
E nas mãos de leme,
Nos olhos entre panos e ar,
Nos ouvidos.

Murmurarão, eternas, as artes,
Entre reflexos esmeralda e espuma.
Hão de ranger todas as tábuas,
Lambidas das águas,
Mordidas do sal,
Tocadas, a verde,
Do moliço dos dias de ontem.


sábado, 4 de agosto de 2012

Palavras D' Olhar




A partir de ontem, "Palavras D'Olhar" está aberta a público, em Bragança, no Centro Cultural Municipal Adriano Moreira, até ao dia 22 de Setembro, na Sala Miguel de Cervantes, desde as 09:30 às 12:00 e das 14:00 às 21:00. 

terça-feira, 26 de junho de 2012

Passos

Algures a norte da Póvoa de Varzim, 2007

A onda que lava os passos na areia
não apaga a memória da praia.

Fluída se faz cheiro, calor e cor,
que o vento leva devagar
para viver a seu tempo,
em outro lugar...

Como molécula de maresia.