domingo, 13 de outubro de 2013

Palavras

Esposende (Marinhas), 2013

Gosto das palavras roladas
que se desprendem das páginas dos livros
que leio em tardes soalheiras.

Mastigo-as
e coloco-as umas sobre as outras
num monte de palavras lidas.

Às vezes,
pouso-as de novo entre as páginas,
para se tocarem com outras,
para as reler,
como brotadas na hora.

Outras vezes leio-as,
rolando no monte das palavras lidas
com aquele som das palavras que se tocam com outras
e assim se fraseiam de surpresa.

Gosto das palavras roladas
que se jogam em frases e textos,
nos livros que leio em tardes soalheiras.

Gosto de as fazer minhas,
de as ter, assim dadas
pelas páginas dos livros…
esses…
esses que leio em tardes soalheiras.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Passos

Viana do Castelo, 2013

Saberá o ar, a praia e o mar a direção dos meus passos?
Saberei eu onde todos me levam?
Ou haverá em cada passo um estranho destino de ser único, sequencial e precedente que  determina o seguinte, independente do que sou no momento em que o exerço?

Onde me levam os passos?
Qual a direção dos meus passos?

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Quase descomposta

Arrimal (Serra dos Candeeiros), 2013

Deixei que um olhar visitasse minhas cores
e todas elas se vestiram de vaidade,
Entre traços de volúpia e pudor.

E já não houve seara dourada
nem prado verde de pasto.
Nem houve céu,
nem horizonte,
nem tempo!
E já não houve cor para lá do meu vestido.

Sorri, corei, dancei…
E apenas me descompunha

O vento do teu olhar.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Lugar do som

Leiria (Órgão de tubos da Sé), 2013

E foi no lugar do som
que a minha alma encontrou a tua
e nela se dissolveu.

Pintou-se de prata e ouro
vestiu-se de madeiras quentes
e esgueirou-se, em contra luz,
pelas estrias dos silêncios.

Roçou pedras de cal
nas asas das brisas leves,
tocadas das rimas de sol
filtradas pelos vitrais.

E a luz...

E a luz misturou os seus tons
de prata e ouro
com madeiras quentes,
pedras frias e traços de azul.

E a luz...
E a luz revelou, em traços de azul,
leves rastos da minha alma
que se esgueirara
pelas estrias dos silêncios.

Senão quando, fecundada na tua,
no lugar do som
ecoou, inteira e grande,
em consumado desejo.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Perfume e cor

Famalicão, 2008

Por não resistir ao perfume da rosa,
penetrei na sua cor.

Abri caminho entre o tempo e as pétalas
num silêncio lento e leve,
entre passos de dedos e pele
que não pousa,
apenas toca,
como quem invade sem poder.

Ouvi um canto e um riso,
entre o tempo e as pétalas,
vindo de longe, no jardim,
para lá dos buxos
e das sebes,
num convite timido e leve,
como de querer que não quer

Toquei a cor de veludo
que cobre o tempo e as pétalas.
Vivi nectar de alvorada
e brilhos de bem querer,
num raiar de madrugada
que se faz
entre o tempo e o ser.

Penetrei fundo na cor
por entre o tempo e as pétalas.
Saciei sede de amor
entre orvalho, pólen, calor...
E a cor,
mitologicamente,
se fez perfume de rosa.

terça-feira, 5 de março de 2013

Asas

Famalicão, 2013
E é por causa de uma brisa mais viva
que as lagartas se alam e, no ar,
voam pétalas de flores antigas,
esquecidas pelo tempo,
renascidas pelo ser.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Não espera

Rio Maior (salinas), 2013

Já perdi vento e maré,
Perdi horas, perdi pé,
Perdi tempo devagar.

Já perdi velas e mastros,
Rumos, mapas e lastros,
Em dias de navegar.

Perdi noção e sentido
E já me senti perdido,
Um pouco em todo o lugar.

Mas sempre me encontrei ,
Em horizontes achei,
Novos pontos de marear.

Finco pés em águas de sal,
Não receio ondas de mal,
Olho o leste, sinto o mar.

Descanso silêncio, em pausa,
Não desarmo minha causa,
Descanso não é esperar.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Palavras D'Olhar

No dia 5 da janeiro exponho na Casa de Cultura da Trofa, em resposta ao gentil convite da Câmara Municipal.

Será um privilégio juntar amigos neste evento.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Longe

Entre Portugal e Espanha, nas serranias de Vinhais, 2011

E nenhum lugar será mais distante do resto do mundo
que aquele de onde o olhamos.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Caminhos

Remisquedo (Linha do Tua), 2012

Que é feito
dos caminhos de outrora,
rodados sem presas
por solavancos de história gemida?

Os ferros e as tábuas
tinham a alma das conversas de aldeia,
balanceadas em pouca-terra, pouca-terra...
por horas longas e preguiçosas.
Ensonava-se...

Um silvo vivo e longo
interrompia a espaços
o adormecimento das peças e das gentes.
Voltavam conversas, soavam ditos,
roçavam-se risos pelos ouvidos...