terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Às tardes


Vila Nova de Famalicão, 2016


Às tardes,
leio nas cores da lua nascente
as palavras de um poema que não escrevo
E o enredo
de uma história diferente
da escrita pelas horas do dia.

Às tardes,
não escrevo as palavras da lua
e o poema fica lá, no olhar que a contempla
e no silêncio quente do poente. 

Às vezes, a lua é regresso à poesia.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Sou da luz!

Árvore (Vila do Conde); 2014

Quero ter o infinito no olhar e claros horizontes na alma.
E o infinito, e o horizonte começam sempre aqui,
Na singela, mas clara voz do meu querer.
Não sou das trevas.

Sou da luz!

sábado, 28 de junho de 2014

Sempre a palavra

Famalicão, 2014

Toco o veludo das margens dos sonhos
com o silêncio das palavras escritas
enquanto me adentro na noite sem lua.

A luz ficou retida no brilho doce
dos sorrisos rosados das pétalas
colhidos a meia tarde.

Depois, a noite!
Temperada de memória
pelas palavras escritas
que não ferem as fibras suaves
de que são feitos os sonhos.

Cada uma,
desprende-se e escorre
do aparo do pensar
e em silêncio se aconchega,
sentida e sem se pronunciar,
sobre o veludo das margens dos sonhos.

domingo, 10 de novembro de 2013

Busca de ser

Leiria, 2013
Procurei-me nas palavras
mas não me achei.

Sem se exercerem
teimam ser miragem
na abóbada dos silêncios
e o oco eco de vazio
goteja em cristais de fel.

Amargo silêncio
das palavras vazias.

Das palavras…
que se esperam

na busca de ser!

domingo, 13 de outubro de 2013

Palavras

Esposende (Marinhas), 2013

Gosto das palavras roladas
que se desprendem das páginas dos livros
que leio em tardes soalheiras.

Mastigo-as
e coloco-as umas sobre as outras
num monte de palavras lidas.

Às vezes,
pouso-as de novo entre as páginas,
para se tocarem com outras,
para as reler,
como brotadas na hora.

Outras vezes leio-as,
rolando no monte das palavras lidas
com aquele som das palavras que se tocam com outras
e assim se fraseiam de surpresa.

Gosto das palavras roladas
que se jogam em frases e textos,
nos livros que leio em tardes soalheiras.

Gosto de as fazer minhas,
de as ter, assim dadas
pelas páginas dos livros…
esses…
esses que leio em tardes soalheiras.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Passos

Viana do Castelo, 2013

Saberá o ar, a praia e o mar a direção dos meus passos?
Saberei eu onde todos me levam?
Ou haverá em cada passo um estranho destino de ser único, sequencial e precedente que  determina o seguinte, independente do que sou no momento em que o exerço?

Onde me levam os passos?
Qual a direção dos meus passos?

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Quase descomposta

Arrimal (Serra dos Candeeiros), 2013

Deixei que um olhar visitasse minhas cores
e todas elas se vestiram de vaidade,
Entre traços de volúpia e pudor.

E já não houve seara dourada
nem prado verde de pasto.
Nem houve céu,
nem horizonte,
nem tempo!
E já não houve cor para lá do meu vestido.

Sorri, corei, dancei…
E apenas me descompunha

O vento do teu olhar.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Lugar do som

Leiria (Órgão de tubos da Sé), 2013

E foi no lugar do som
que a minha alma encontrou a tua
e nela se dissolveu.

Pintou-se de prata e ouro
vestiu-se de madeiras quentes
e esgueirou-se, em contra luz,
pelas estrias dos silêncios.

Roçou pedras de cal
nas asas das brisas leves,
tocadas das rimas de sol
filtradas pelos vitrais.

E a luz...

E a luz misturou os seus tons
de prata e ouro
com madeiras quentes,
pedras frias e traços de azul.

E a luz...
E a luz revelou, em traços de azul,
leves rastos da minha alma
que se esgueirara
pelas estrias dos silêncios.

Senão quando, fecundada na tua,
no lugar do som
ecoou, inteira e grande,
em consumado desejo.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Perfume e cor

Famalicão, 2008

Por não resistir ao perfume da rosa,
penetrei na sua cor.

Abri caminho entre o tempo e as pétalas
num silêncio lento e leve,
entre passos de dedos e pele
que não pousa,
apenas toca,
como quem invade sem poder.

Ouvi um canto e um riso,
entre o tempo e as pétalas,
vindo de longe, no jardim,
para lá dos buxos
e das sebes,
num convite timido e leve,
como de querer que não quer

Toquei a cor de veludo
que cobre o tempo e as pétalas.
Vivi nectar de alvorada
e brilhos de bem querer,
num raiar de madrugada
que se faz
entre o tempo e o ser.

Penetrei fundo na cor
por entre o tempo e as pétalas.
Saciei sede de amor
entre orvalho, pólen, calor...
E a cor,
mitologicamente,
se fez perfume de rosa.

terça-feira, 5 de março de 2013

Asas

Famalicão, 2013
E é por causa de uma brisa mais viva
que as lagartas se alam e, no ar,
voam pétalas de flores antigas,
esquecidas pelo tempo,
renascidas pelo ser.