segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Feliz Ano Novo

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Imagens em Famalicão, 2009

domingo, 27 de dezembro de 2009

Brumas


Ervedosa (Vinhais), 2009
Por vezes....
O olhar só se exerce em distâncias de toque.
Depois ... as brumas!

Elas que encobrem o real
E lhe oferecem a não existência!

Ou então...
Que lhe atribuem mistério bastante
Para que se faça
Magicamente atractivo e voluptuoso!

Para ser, ele todo,
Para lá do mar de todas as descobertas
E de monstros inigualáveis,
O descanso dos sentidos e do ser
O continente da luz
O lugar do prazer!

domingo, 13 de dezembro de 2009

Lágrima


Ervedosa (Vinhais), 2009

Porque…
Mesmo nas dores
e para lá das lágrimas…

Sempre pode existir uma luz
capaz de calar o frio dos dias de ontem
e abrir lugar a olhares novos.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Partida


Remisquedo (Bragança), 2009
Secou-se a terra de gentes
Que araram penedias
Levou-as o futuro prometido
Para longe das serranias.

E assim, há dias de hoje
Em que nem o ar se atreve a quebrar o silêncio.
Para que se sintam vozes de história,
Vozes de gentes em memória
De antigos desassossegos.
Uns com estios
Outros com invernias
E os últimos, com a partida.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Silêncio


Avelanoso, 2009
Hoje sabe-me o silêncio,
Faz-se, da cor, paladar.
Tocam, as papilas,
O frio do ar
E confundem-se!

Confundem-se no sabor da cor
Refrescada por orvalho, bem cedo,
À maternidade dos dias.

E que, por tons de Outono,
Se afirma nas pétalas em canteiros,
Se cede ao ar em folhas caídas,
Se esbanja, para deleite,
Em bosques de arvoredo.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Paliçada


Porto (Parque da Cidade, 2009)
Arrisca a cidade dos medos,
Vai ao futuro e vence-o.
Passa para lá do tempo e do ser,
Faz-te brilhar no universo.

Cria-te em homem novo,
Desfaz-te de ti e arrisca
Ultrapassar as barreiras
Que doem, que ardem, que moem.

Voa para lá do olhar.
Vence a paliçada que trava
Os caminhos da tua luz.
Que o hoje é, afinal,
Apenas e só.
Ligeiro impedimento ao amanhã.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Sombras


Porto (Casa da Música - exterior), 2009
Olho o silêncio…
Na ausência das cores de ontem.

Vejo sombras …
De mãos que foram rostos,
De rostos que foram riso e palma,

Vejo sombras …
De pernas, de pés e corpos todos
Que, em noite,
Viveram magia, mundo e alma!

sábado, 15 de agosto de 2009


Comprometi-me com o olhar.

Afirmei-o que “só” e tal pareceu-me possível.
Como se o olhar se fizesse assim, independente do ser.

Comprometi-me, afinal, a partir do olhar (muito para além do olhar) com a linguagem das sensações que se fazem palavras.

Comprometi-me, afinal, com todos os sentidos e todos os sentires…

...entre fotos e palavras.




Até 4 de Setembro,

alguns dos "meus olhares" estão em exposição

na Galeria da Casa Museu Soledade Malvar em Vila Nova de Famalicão.


nesta localização:

terça-feira, 21 de julho de 2009

Palavras


Famalicão, 2009

Quando as palavras fogem à pena,
Por selvagens e bravias,
Cedo ou tarde se sujeitam,
ou se domam.
Cedo ou tarde
se fazem servir.

E as que voam em cor
Por raias de horizonte?
Essas fluem,
Donas de si,
Estranhas e leves!

Às vezes…
Não se prendem nem sujeitam.
Emaranham emoções,
Desenham desejos, paixões,
Esfranjam-se, dissipam-se e levam,
Para lá do horizonte,
O poema e a cantiga.

Na voz, o silêncio.
No papel, um alvo ou negro nada.

E na alma…
Palavras esfumadas
Sem serem presas, domadas
São íntimas, sós, secretas, não partilhadas!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Luz da cidade


Famalicão, 2009

Às portas da noite
Em luz nua e bela
Namorou o luar
Aqueceu a paixão
Iluminou a beleza
Sentiu a certeza
De ser uma estrela
Do tamanho da mão

Brilhou,
Brincou, sorriu…
Fadou.
Enamorou-se de si!
Deslumbrou-se
E mentiu!

A luz da cidade
Pensou que era sol!

Num raio de alva,
Experimentou a tristeza!
Perdeu a beleza,
E a perda doeu!

Na câmara do sol,
A luz da cidade
Saiu à verdade
E leu que o seu fado
É ser brilho amado
Em noite de breu!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Voar


Douro, na Ribeira do Porto (2009)

Passei para lá das leis
Que a física ordena.

Dei-me a asas,
Fui Fernão!

E num momento…
Abracei o ar.
Deixei o peso do corpo
Em amarras de água e terra.
Voei para lá do mar.
Vi!
E pude provar,
Por valor do pensamento,
Alvo e leve
Magnífico!
O encanto de VOAR.

domingo, 19 de abril de 2009

Espera


Avelanoso, 2009
Pode esperar-se o vento,
Ou um dia de sol!
Pode esperar-se uma razão para existir.

Pode esperar-se o tempo,
Pode esperar-se o sentir.
Pode esperar-se a razão,
Pode esperar-se o ouvir .

Ou um ouvido que escute
O grito e o segredo,
Um ombro que quebre o medo.
Num peito, uma paixão.

Pode até esperar-se, então,
Todo o mundo.
Ou simplesmente...
Um olhar que nos contemple.

sábado, 11 de abril de 2009

Horizontes


Serra de Montesinho (Bragança), 2009

Aqui me encontro,
Onde me alimento de mundo.
Para lá um monte, outro,
Até que o horizonte
Se confunde com o céu,
Em tons de azul e cinza!

O universo em mim
E eu sobre a terra
Firme entre calhaus?
Tombado sobre o fraguedo?


Serra de Montesinho (Bragança), 2009

Como seja!
Eu e a Terra … Olhando o Céu!

segunda-feira, 23 de março de 2009

Guiços


Aveiro 2008

Por vezes…
São nus, os guiços.
São rudes… os ramos.
Que se desenham no pensar!

Mas neles…
Fervilham seivas de emoções.
E neles moram desejos.
Deles brotam as paixões
Que os vestem de palavras.

E depois…
Assim vestidos de ser,
Anunciam pétalas ao vento
Dão vida a amores e a dores,
Mentem…
Dizem verdade,
Dão significado à saudade
Cedem sonho e pensamento.

domingo, 15 de março de 2009

Contrário



Lagoa, VNF (2009)

Quero lá saber de grandes coisas,
E de feitos inigualáveis.

Quero lá saber de aventuras,
De guerras e de conquistas.

Quero lá saber de certezas,
E de rios de verdades.

Agora o que quero…

É, em pleno prazer,
Nem que seja por um segundo,


Ver todo o mundo ao contrário!

segunda-feira, 9 de março de 2009

Rede


Vila Chã (Vila do Conde), 2009

Há-de ser esta a minha dor,
A minha angústia,
De tecer as teias
Em que me enleio?

Ou meu valor?
E por elas me liberto,
Prendendo a vida e os outros,
Em laços de sedução?

Se cansar as mãos que são minhas,
Se a minha pele gretar,
Da passagem destas linhas

Que os nós que der sejam lassos
Para escorregar, por eles a dor.
Sejam laços de vida e amor.
Sejam firmes, sejam rede
Sejam rede de enlaçar.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Sorriso na lua


Famalicão, 2009

Pendura um sorriso na lua
Se achares a noite escura.

E ela, em outra noite,
Responderá com luar!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Caminhos


Jales (Vila Pouca de Aguiar), 2009

Não recearei os caminhos,
Se é na liberdade que os sigo.

Nem os que piso,
Nem os que vejo.
Nem aqueles que defino!

Só recearei os caminhos,
Que não me são livres.

Os que me impõem,
Os que me escondem do olhar.
Os que mascaram de trilháveis...

... sem o ser!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Limbo


Alcañices (Espanha), 2008
.
Ao abrir o céu
À coragem de olhar o sol,
Passarei para lá do texto.
Ultrapassarei o tempo.
Entrarei no limbo das palavras.
.
É aí que o mundo se constrói
Aquele que se possui …
Plenamente!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Infinito


Esposende, 2008

Caminho as asas do vento
Por amor do infinito
E em silêncios sustento,
No interno do meu do ser,
Toda a vontade e querer
Que não se transforma em grito,
Porque vejo que voar,
Para lá do infinito
Não se faz …
…de bater asas!
Não se exerce contra o vento.

Faz-se…
De sereno planar
E em brisas de navegar!

Um toque de asa, ligeiro!
Que não quebra o silêncio,
Conforta a paixão e o vento
Muda a rota, dá alento…
Firma o voo, que sustento,
Por amor do infinito.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Porquê?


Seide (Casa de Camilo) 2008

Porque são tão difíceis as palavras?
Porque custa, assim, escrever?
Não existem elas, no meu sentir?
Não moram no pensamento?

Então,
Porque não revelam
E não se fazem acto de dizer o que penso?

É bem grande, afinal…
A distância entre o sentir e a palavra!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Meu Ano Novo


França (rio Sabor), 2008

Visito o livro dos dias
Em meu dia de ano novo.
E nele encontro, de mim…
Desenhos, rabiscos e temas
De escritos em prosa e poemas
A que falta dar um fim.

Encontro momentos de sonho,
De amor e de encanto
E encontro prazer tamanho
No soar, em leve canto,
Das memórias que são queridas.

Encontro terras sofridas
Pela lavoura dos dias.
Encontro batalhas perdidas.
Mas também vejo vitória,
Prazeres, gozos e magias
Em dias que fica na história.

Encontro dias a fio,
Neles refresco o meu hoje.
Do passado, nada foge.
Nele assento o amanhã!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Ano Novo


Famalicão, 2008

Um novo ano não pode apresentar a nitidez de um presente.
É um futuro inteiríssimo de indefinição e desconhecimento.

No entanto…
O início da sua descoberta
Assenta no instante em que o futuro e o presente se confundem e…

O início da sua construção,
Nos outros todos instantes do passado, de onde o presente se faz.